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p e n s a n d o   o   a r r a n j o

De modo geral, o arranjo é o retrabalhar de uma composição musical para um ambiente sonoro diferente do original. Ele pode ser tanto uma reelaboração mais complexa da matriz quanto sua simplificação. Ele envolve tanto a transcrição literal de um contexto para outro (como a transposição de uma composição instrumental para um ambiente vocal) quanto a criação de uma roupagem totalmente nova para determinada canção.    

O arranjo, portanto, solicita o trabalho permanente de desconstrução e reconstrução. Ele emerge de um entre-lugar: da relação sempre tensa entre apego e desapego, da negociação irrevogável entre velho e novo. Neste sentido, ele se torna um ato de paradoxal liberdade: de um lado, ele encarcera a ação criadora dentro de uma materialidade herdada, pré-concebida, cristalizada; no contrafluxo, ele clama pela vazão da energia criativa, que se lança à busca de novas cores, de novos modos, de outros mundos possíveis, de outras maneiras de escutarmos aquilo que já foi dito, de jeitos singulares de executarmos aquilo que vínhamos executando. O arranjo é sempre uma reatualização: dos escutares, dos executares, das atenções, da experiência estética, dos afetos, dos sentidos, do passado. 

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